CoMA 2019 – Convenção de Música e Arte I 3ªedição do festival agita a cena musical da capital em agosto

Show da cantora Flora Matos durante o Festival CoMA 2018, em Brasília — Foto: Festival CoMA/Divulgação

Unindo festival e coferências culturais, vem aí o CoMAConvenção de Música e Arte, em sua  3ªedição. 
Lançado em 2017, veio para marcar o calendário da cidade e reforçar Brasília como grande produtora cultural. Em 2019, com mais de 50 shows divididos entre Planetário, Clube de Choro e pelo gramado da FUNARTE, além de uma conferência, com debates, pitches e outras atividades em torno do mercado da música, produção cultural, artes, games e outros temas adjacentes. Após dois anos da sua estreia, o Festival CoMA chega à sua terceira edição como um dos eventos mais aguardados do Centro-Oeste, além de ter se estabelecido no circuito de relevantes festivais do país. Agendado do dia 2 a 4 de agosto de 2019, o CoMAConvenção de Música e Arte arma a sua estrutura no Eixo Monumental. O primeiro dia do festival, 2 de agosto, sexta-feira, é marcado pela já tradicional festa de abertura do CoMA. A parte musical do evento destina quase 50% da sua programação a bandas brasilienses. A outra metade é preenchida com artistas que têm chamado atenção no país. Em 2019 o festival também apresenta atrações internacionais independentes como Dionisio (Colômbia), Da Cruz (Suiça), Sate (Canadá), Scratch Massive (França) e Triss (Coréia do Sul). A edição desse ano do festival trás como headliners artistas nacionais, tendo como destaque o icônico Ney Matogrosso, que vem trabalhando com a banda Scalene, na produção do seu quarto álbum de estúdio "Respiro", bem provável que aconteça uma parceria entre o cantor e a banda brasiliense no festival. Odair José, embora venha como participação especial, representa a parte clássica dos nomes da música popular nacional, junto a Pedro Luís que fará uma homenagem a Luiz Melodia e Maria Gadú. A banda Fresno, retornando aos palcos para apresentar seu novo álbum "Sua alegria foi cancelada"  e representando a nova guarda musical de artistas contemporâneos, a capital vai receber Liniker e os Caramelows, apesentando seu último trabalho de estúdio "Goela Abaixo", Francisco el Hombre, lançando seu novo álbum "RASGACABEZA"  e a BaianaSystemem turnê de comemoração de 10 anos, trazendo o show do seu mais novo álbum, "O Futuro não Demora", produzido em parceria com Daniel Ganjaman. Além dessas atrações de peso o festival nos trás revelações nacionais com  apresentações de artistas que vem chamando atenção: Filipe Ret, Letícia Fialho e a Orquestra da Rua, Heavy Baile, Tuyo, Sandro, Luedji Luna e Djonga.  O festival abre espaço também para atrações pratas da casa já com carreiras consolidadas como: A drag Aretuza Lovi, o bandolinista Hamilton de Holanda e a celebre banda Scalene, vice campeã do programa Superstar da Rede Globo em 2015, e uma das representantes de mais expressão no cenário rock nacional atual, além das revelações da cidade, a banda Joe Silhueta ( com a participação super especial de Odair José), Adriah e Ellefante entre outras mais. A outra frente do CoMA, a conferência, tem programação voltada ao mercado da música. Com a participação de produtores, artistas, empresários, jornalistas, influenciadores, entre outros, a feira profissional é concebida na perspectiva do turismo criativo, com o objetivo de promover intercâmbios, rodadas de negócios, palestras, debates e workshops.

+ INFO (Conferência do Festival CoMA)
Foto: Luíza Spindola/Divulgação
Profissionais da música terão a 
oportunidade de se apresentar na  Conferência da 3ª edição do Festival CoMA, que acontece dias 1º e 2 de agosto, das 10 às 19h no Centro de Convenções Brasil 21Empresários, assessores, produtores e/ou managers, entre outros,  para os pitches e showcases. Os pitches são espaços de apresentação de projetos musicais, onde músicos, empresários, assessores, produtores e/ou managers podem apresentar o trabalho artístico para uma bancada de jornalistas culturais, realizadores e programadores de festivais, selos, curadores de projetos, donos de espaços culturais, entre outros profissionais do mercado da música. Já os showcases são plataformas de promoção, na qual as bandas selecionadas fazem um show de 20 minutos de duração para uma banca de compradores/players, onde até 24 projetos musicais serão selecionados, sendo até 12 projetos para os pitches e até 12 bandas para showcases. Além destas atividades, a conferência trará rodas de conversas, oficinas e mentorias. A proposta da Conferência é ser um espaço para tratar da profissionalização da arte, envolvendo não só os artistas, mas toda a cadeia envolvida no processo de produção, financiamento e divulgação da música. É o espaço do empreendedorismo, de discutir com profundidade o mercado para fortalecê-lo.

Informações: conferenciacoma@gmail.com



A Maionese Alternativa realizou a cobertura do festival ano passado e lista os cinco shows de destaque:

1. Elza Soares - A rainha subiu ao palco logo após ter lançado seu ótimo álbum "Deus é Mulher" abrilhantou a noite de sábado no palco Norte com quase 10 mil pessoas em show político e empoderado. Ajudada por sua equipe, ela subiu na plataforma montada no palco, bem acima de todos os músicos de sua banda — entre eles, Guilherme Kastrup, seu produtor, e o cantor
Foto: Reprodução
compositor Rodrigo Campos — , e cantou por cerca de uma hora e meia, misturando o repertório de “Deus é mulher” e “A Mulher do Fim do Mundo” (2015). Por soarem como discos complementares, a estética do show é basicamente a mesma da aclamada turnê anterior. Elza fez diversos discursos, sempre recebidos com clamor, entre as músicas.

2. Liin da Quebrada - A MC e atriz trans Linn fez a multidão (o maior público do domingo, em torno de 7 mil pessoas no Palco Sul) rebolar com seu funk pancadão de letras para lá de gráficas acompanhada de Jup do Bairro. Foi um show libertador para seu público que cantou com orgulho a libertação sexual de sua performance frenética e deixar qualquer um de boca aberta em show . 

3. Marcelo Jeneci - Outro destaque de domingo foi a apresentação do cantor em um espaço histórico da cidade, o Clube do Choro, que no festival virou um palco a parte, nesta apresentação 

Foto:Reprodução
abarrotada de fãs (mais um show em que parte do público ficou de fora por conta da lotação do espaço) Jeneci explicou que chegou a ser convidado para se apresentar em um dos dois palcos externos, mas optou pela casa fechada por combinar melhor com o show que levou a Brasília. Nele, esteve acompanhado do Quinteto da Paraíba, composto por instrumentos de corda (violinos, contrabaixo acústico, violoncelo), e fez releituras de seus principais sucessos, como “Felicidade”, “O melhor da vida” e “De graça”, em mais um daqueles casamentos acertados entre música pop e erudita.

4. Julie Neff - A cantora independente canadense realizou um show intimista no Planetário de Brasília, palco do complexo do festival, para 80 pessoas (dezenas ficaram de fora pela capacidade limitada). Sua pegada acústica agradou em cheio ao público que aclamou cada canção além de presenciar um show incomum e único de uma artista com uma voz potente em suas canções autorais.


5. Supercombo e Scatolove - A banda natural do Espírito Santo realizou um dos shows mais vibrantes do festival com um público caloroso e cantando todas as músicas que ganhou popularidade no mesmo programa da Globo

Foto: Moons Eye Productions
que revelou Versalle e Scalene. No final ainda teve um "combo" com a junção de vários integrantes de bandas parceiras como Scalene e Far From Alaska para cantar seu maior hit "Piloto Automático". Como bônus ainda teve no dia seguinte o pop fofo "imaginedragonístico" do Scatolove, duo formado pelo casal Isa Salles (participante da edição do “The Voice Brasil” de 2018) e Leo Ramos (do Supercombo) que surpreendeu por ter ser sido acompanhado em coro pelo jovem público mesmo sendo o primeiro show da história do projeto.



Programação:

CoMA – Convenção de Música e Arte
Data: 2 a 4 de agosto

Local : Complexo CoMA:
– Gramado da FUNARTE
– Clube do Choro
– Planetário
Acesse: festivalcoma.com.br e tenha acesso a todas as informações.

Ingressos de R$35 a R$130 reais! pelo Sympala


Line -Up

► Sexta - Feira (Festa de Abertura)
Da Cruz (Suiça))
Sate (Canadá)
DJ A
ATR
Forró Red Light


► Brasilia Independente

Allan Massay
Arthur Santana
Fagner e Fabrício
Israel Paixão
Lejow
Madamme Bovary
Tarot
Samba Urgente
Toro
Vibrações

► Sábado


Scratch Massive (França)
Triss (Coréia do Sul)
BaianaSystem
Maria Gadú
Hamilton de Holanda Quarteto
Scalene
Filipe Ret
Letícia Fialho e a Orquesta da Rua parti. Pedro Luís
Aretuza Lovi
Heavy Baile
Tuyo
NãNan
Barro
Obitrin Trio
Kafé

Camarrones Orquestra Guitarrística
Sandro
Raquel Reis
Gypsy Jazz Club

Moara
Perrelli B2B Preta
Bandinha Di Dá Dó
Paulo Chaves
Natália  Carreira


► Domingo

Dionisio ( Colômbia)
Ney Matogrosso
Liniker e os Caramelows
Franscisco el Hombre
 Luedji Luna
Fresno
Djonga
Pedro Luís "Pérolas de Luiz Melodia"
Joe Silhueta part. Odair José
Hodari
Daniel Santiago Quarteto Union
Adriah

Ellefante
Vavá Afiouni
Paulo Zimbres e Grupo
Realleza
Litieh
Marlene Sousa Lima
Karla Testa
Beatriz Águida
2 Dub
Lˆ_


Por Ségio Ghesti/ Gabriella Riot



Thom Yorke I Terceiro álbum solo de vocalista do Radiohead é um deleite eletrônico sentimental


Thom Yorke - "Anima", (2019)

Hype: Ótimo


O trabalho contempla nove faixas em uma mistura sólida de batidas eletrônicas e melodias com poesia e distopia na substância presente nos sons que o cantor traduz como uma moderna sinfonia que aguça os sentidos e questionam a realidade. Não tem como falar de Thom Yorke e não lembrar do grupo em qual ele faz parte, o Radiohead, uma das bandas mais criativas e de vanguarda que podem ser citadas no meio musical, em grande parte por causa de Yorke. O cantor e compositor já se arriscou outras duas vezes em trabalhos paralelos, em 2006 lançou The Eraser que não possuía muita distinção do seu toque pessoal e em 2014 realizou o experimental Tomorrow's Modern Boxes. Ano passado ele aceitou um convite no mínimo inusitado, compor a trilha sonora da refilmagem do filme de terror clássico Suspiria. Anima é uma parceria com o produtor Nigel Godrich, com quem o Radiohead trabalha desde “Ok Computer(1997). Essa colaboração é sentida em toda concepção das canções com vertente eletrônica e com o diferencial da pegada minimalista de Thom Yorke, já com 50 anos de idade, mas com uma energia incrível tanto na voz quanto nas idéias conceituais de ritmos e sintonia. O cantor passou por diversos bloqueios criativos e ficou quase 2 anos sem compor, esse intervalo de tempo só ressalta sua inspiração aflorada tanto no recente e maravilhoso “Suspiria” de 2018 como em Anima, nome que vem uma palavra latina que significa "alma", muito presente nas novas composições seja na abordagem assintomática, de sensações e vibrações nem sempre expostas, voando na imaginação e nos sonhos de maneira positiva sem se abalar pelas desilusões de uma vida "industrial". 
Não é um trabalho que vai te levar para baixo, é uma obra que pode gerar reações emocionais e até mesmo uma meditação. Acompanhe nossas impressões faixa a faixa de ANIMA: "Traffic" abre o álbum com uma batida eletrônica sombria e complexa. Lembra os bons tempos de Radiohead porém apresenta um tempero moderno que York expõe em um som limpo e neutro. É melhor e mais completa faixa do trabalho. "Last I Heard (... he was circling the drain)" é uma faixa experimental que pouco foge da melancolia do cantor porém ela possui um crescimento constante de batida e uma virada que empolga levemente. "Twist" começa levemente investindo no eletrônico até surgir a voz de Yorke acompanhada de efeitos sonoros e demais artifícios para uma apreciação elaborada de toda sua construção. Sua virada final traz luz e brilho a melodia, são lindos 7 minutos de música. "Dawn Chorus" certamente é aquela balada que vai te prender até o último verso."Se você pudesse fazer tudo de novo?" é um dos questionamentos da canção que se revela otimista mesmo que com um leve tom melancólico, termina como agradável e calorosa na medida certa. "I am a Very Rude Person" tem uma pegada urbana deliciosa que se confunde com uma faixa de Jazz. Perfeita para um lounge "Not The News" traz sintetizadores misturados a voz de Yorke em uma canção que poderia facilmente estar em algum trabalho do Radiohead, sua batida quase dançante se transforma levemente em uma balada. "The Axe" é uma música angustiante que se mistura com movimento da batida e com o ritmo crescente."Impossible Knots" traz em seu ritmo uma singela sensação deliciosa de paz e alivio. É como dormir e viver bons sonhos."Runwayaway" fecha o trabalho de forma moderna e quase buscando uma empolgação que na verdade é para causar um êxtase sobre o fim. 

ANIMA é um trabalho original em sua concepção de sons e delicioso para qualquer estado de espírito. Uma boa oportunidade de se integrar ao disco é assistir ao curta-metragem “ANIMA (2019)”, dirigido por Paul Thomas Anderson (“SangueNegro”) disponível para na Netflix. O trabalho é materializado nos três atos do filme com canções do álbum em um espetáculo de coreografia e imagens, o curta é co-estrelado pelo artista ao lado de sua namorada, a atriz italiana Dajana Roncione, em uma crônica urbana sobre distopias modernas. OBRA PRIMA.

Favorita do álbum:


São 09 músicas disponíveis nas principais plataformas de streaming pela XL Records.

 Ouça "ANIMA"



Assista "ANIMA" na íntegra na Netflix




Por Sérgio Ghesti